Falhas em execuções estratégicas minam eficiências das empresas

Na prática, dizem, a teoria é outra. O dito popular tem valido na vida empresarial também, e, talvez, até mais do que deveria. Operacionalizar decisões  e atingir metas tem sido um entrave para as empresas. Um estudo da consultoria KPMG quantifica bem o problema: 75% das estratégias definidas pelos executivos das companhias jamais chegam a se concretizar, em larga medida por falhas variadas na operação.

O gap entre planejamento e execução acontece em todos os setores da economia, não sendo, portando, uma exclusividade do varejo. Também não chega a ser uma novidade nem se trata de um problema exclusivamente brasileiro: em um artigo de 2008, publicado na prestigiosa Harvard Business Review, revista ligada a à Harvard Business School,  Gary L. Neilson, Karla L. Martin e Elizabeth Powers relataram uma pesquisa tão interessante quanto reveladora.

Durante cinco anos, o trio convidou empregados de diferentes companhias a responder um questionário sobre as competências de suas organizações. Três em cada cinco empresas receberam classificação fraca em execução pelos seus funcionários. Não é pouca coisa, especialmente considerando-se que 125 mil pessoas responderam ao questionário, representando acima de mil companhias, localizadas em mais de 50 países, incluindo também agências de governos e entidades sem fins lucrativos.

Uma das explicações para a dificuldade de colocar em prática plenamente as estratégias traçadas pelas empresas é a crescente complexidade da economia e do mundo dos negócios, nesse caso, com destaque para o varejo, talvez um dos seguimentos de operação mais complexa. “Conforme as companhias tentam executar estratégia mais e mais intricadas em operações cada vez maiores, mais complexas e mais descentralizadas, elas se confrontam com desafios muito além daqueles enfrentados em experiências anteriores”, escreveu em um artigo o vice-presidente de gestão de talentos e estratégia corporativa da Canadian Blood Service (CBS), Andrew Pateman.

Ele sabe o que diz quando fala em complexidade de operações. O ex-executivo de consultorias como PrincewaterhouseCoopers e Palladium Group hoje lidera uma organização sem fins lucrativos, situada em Ontário (Canadá), que atua e todo o país gerenciando estoque de banco de sangue, equipamentos, campanhas de doações e voluntários.

No Brasil – e no varejo –  não é diferente, pelo contrário. Além da questão do ambiente de negócios, apontada por Pateman, falta planejamento, estabelecimento de metas claras, com  prazos e responsabilidades (e não só nos níveis gerenciais, mas também no chão de loja), processos, métodos controle e reparação de erros.

Fonte: Revista Super Varejo, ANO XVII – Nº 189 – Março/2017

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